Os dois coleiros
Um dia numa gaiola
Foi um coleiro trancado
E por humano Capricho
Viu-se assim escravizado.
Chorando dizia o triste:
Maldita,maldita sorte!
Em lugar da escravidão
Antes me desses a morte!"
Um outro coleiro, livre
De ramo em ramo saltando,
Ouvindo queixumes tais,
Ia sonoro cantando:
"Tenho o ar,flores e frutos,
Ameno campo divino,
Amores e liberdade ,
Eu bendigo o meu destino."
Eis que num dia dois homens
(Que diversa inclinação)
Um abria uma gaiola .
Outro armava um alçapão.
Outro armava um alçapão.
Ligeiro sai da gaiola
Pobre, escravo passarinho;
No traiçoeiro alçapão
Cai o livre coleirinho;
Que as sortes foram mudadas
Não é preciso dizer:
Se o que gemia hoje canta,
A quem compete gemer?
Quando a sorte sorri-nos ,
É justo viver contente;
Porem respeitando as dores
Do que vive descontente.
Assim também, quando a sorte
Não nos quer favorecer,
Chorando nunca devemos
As esperanças perder.
Nesta vida transitória
Lembrar este dito cabe:
"Não há bem que sempre dure
Nem mal que não se acabe..."
Anastácio Luiz de Bonsucesso
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