domingo, 9 de outubro de 2011

Dos melhores autores Brasileiros e Portugueses-Seleta em Prosa e Verso


Os dois coleiros

Um dia numa gaiola
Foi um coleiro trancado
E por humano Capricho
Viu-se assim escravizado.


Chorando dizia o triste:
Maldita,maldita sorte!
Em lugar da escravidão
 Antes me desses a morte!"


Um outro coleiro, livre
De ramo em ramo saltando,
Ouvindo queixumes tais,
Ia sonoro cantando:


"Tenho o ar,flores e frutos,
Ameno campo divino, 
Amores e liberdade ,
Eu bendigo o meu destino."


Eis que num dia dois homens
(Que diversa inclinação)
Um abria uma gaiola .
Outro armava um alçapão.


Ligeiro sai da gaiola 
Pobre, escravo passarinho;
No traiçoeiro alçapão
Cai  o livre coleirinho;


Que as sortes foram mudadas
Não é preciso dizer:
Se o que gemia hoje canta,
A quem compete gemer?


Quando a sorte sorri-nos ,
É justo viver contente;
Porem respeitando as dores 
Do que vive descontente.


Assim também, quando a sorte
Não nos quer favorecer,
Chorando nunca devemos 
As esperanças perder.


Nesta vida transitória
Lembrar este dito cabe:
"Não há bem que sempre dure
Nem mal que não se acabe..."
                                             Anastácio Luiz de Bonsucesso




Nenhum comentário:

Postar um comentário